Tratamentos para Doença de Crohn: Quando pode ser hora de cirurgia?

A cirurgia na doença de Crohn tem algumas indicações específicas e pode ser feita como primeira opção em pacientes com doença localizada somente no íleo. Também é a primeira opção em casos de estreitamento do intestino, obstrução e perfuração intestinal.

Além disso, pode ser adotada como recurso quando a medicação não surte mais efeito, em doenças graves. Ainda para a doença perianal, como fístulas e abscessos, funciona para drenagem, melhorando a infecção.

O que é a Doença de Crohn?

A Doença de Crohn é uma doença autoimune, ou seja, que a própria imunidade ataca as células do intestino. O local mais comum de acontecer é no final do intestino delgado (íleo distal), mas não é raro acometer o intestino grosso (cólon), o reto e o ânus (e a região perianal).

Ainda não é bem certo o que causa essa inflamação, mas há a hipótese de que o estilo de vida ocidental, rico em alimentos ultraprocessados, gorduras e açúcares, pode ter um papel importante no seu desenvolvimento, além de fatores genéticos e de microbiota.

 tratamento da Doença de Crohn

Como funciona o tratamento da Doença de Crohn?

A Doença de Crohn é crônica, ou seja, dura pela vida inteira. O que não significa que ela não tenha tratamento. Pelo contrário, existem vários tratamentos disponíveis atualmente, e é bem comum vermos pacientes ficarem completamente sem sintomas e levando uma vida normal com a doença. Porém, esses tratamentos costumam ser contínuos.

A classe de remédios mais utilizada chama-se imunobiológicos, que são medicações que vão inibir essa resposta inflamatória às células intestinais. Novas drogas com esses efeitos têm surgido recentemente, o que é um avanço importante nesse tratamento. 

Entretanto, infelizmente, sabemos que cerca de 70% dos pacientes com doença de Crohn precisará de algum procedimento cirúrgico durante a vida.

Afinal, quando a cirurgia é indicada?

Existem algumas situações que indicam cirurgia logo de cara, que seriam as urgências: perfuração intestinal, grandes abscessos, obstrução intestinal e sangramento que não melhora com tratamento clínico. Nesses casos não há muito o que discutir, se não for feita, o paciente corre risco de vida.

Existem ainda, casos que indicam uma cirurgia eletiva, ou seja, que pode ser agendada com calma: 

  • Estenose: estreitamento do intestino. Todas as vezes que o intestino inflama, ao melhorar, ele forma uma cicatriz. Essa cicatriz, ao longo do tempo, pode levar a um estreitamento na passagem das fezes e pode começar a causar sintomas intestinais;
  • Fístula intestinal: comunicação anormal de uma alça de intestino com outra. Isso pode ocorrer, pois o intestino muito inflamado “cola” em outros órgãos no abdômen ou na pelve, podendo gerar uma comunicação entre os 2 órgãos, mais comumente sendo entre duas alças intestinais;
  • Câncer ou lesões pré-malignas: devem ser retiradas as partes do intestino com essa doença pelo risco geral do câncer, que pode progredir, causar metástases e ameaçar a vida.

Existe ainda um caso especial em que a cirurgia pode ser indicada mesmo para uma doença mais leve, mas como uma forma de tratamento que evita a necessidade de medicações depois: a inflamação no final do intestino delgado (a ileíte). Esse local é o mais comum de ser acometido pela doença de Crohn. 

E quando a doença é localizada apenas nesse segmento, a cirurgia tem ótimos resultados no controle da doença. É realizada a “costura” (na verdade, um grampeamento) e o paciente não precisa ficar com bolsa de ostomia. 

Pode resolver todos os sintomas e mais da metade dos pacientes fica sem doença ativa por vários anos. Logo, é um procedimento que pode ser bem interessante para vários pacientes. 

E quanto à Doença Perianal? 

Não raramente, a Doença de Crohn pode acometer o ânus e os tecidos perianais. A forma mais comum é causando inflamação, que logo vira abscesso e forma fístulas perianais (túneis entre o ânus ou o reto e a pele).

Frequentemente, nesses casos, pode ser necessária a cirurgia. Os abscessos e fístulas abscedadas devem ser drenados, ou seja, deve ser feito um corte para poder extravasar esse pus, melhorando assim o quadro. 

As fístulas devem ser tratadas com um procedimento cirúrgico chamado de colocação de sedenho. Este, é um procedimento para colocar uma “borrachinha” por dentro do túnel da fístula, facilitando, assim, a saída da secreção de dentro dela para fora, melhorando bastante os sintomas perianais do paciente.

É um procedimento necessário de ser feito antes do início de medicações imunobiológicas, para evitar que a cicatrização ocorra primeiro na saída e feche a fístula, causando um novo abscesso.

Outra situação possível é: quando a fístula anal não cicatriza completamente depois do uso dos imunobiológicos. Nestes casos, é possível ser feita uma cirurgia para tratamento específico da fístula, para levar à cicatrização. 

Segue a lógica parecida de fístulas anais em pacientes sem Crohn, mas levando em conta que no futuro eles podem vir a ter novas fístulas. Então, deve-se evitar de cortar músculos do esfíncter anal, sempre que possível.

Tire suas dúvidas sobre a Doença de Crohn

A Doença de Crohn exige acompanhamento contínuo e, em alguns casos, avaliação cirúrgica. Se você busca uma opinião médica especializada, procure um coloproctologista de confiança. 

O Dr. Arthur Garcia é Coloproctologista em Florianópolis (CRM SC 15629 | RQE 11281), com experiência em cirurgias e tratamento de doenças inflamatórias intestinais.

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