A cirurgia costuma ser o tratamento indicado na maioria dos casos de endometriose com acometimento intestinal. Com técnicas minimamente invasivas, são retirados todos os focos de endometriose como o mínimo de ressecção possível em cada caso.
Endometriose intestinal: O que é?
A endometriose é uma doença na qual há a presença de células do endométrio (parte mais interna do útero) em outras partes da pelve e do abdômen.
Normalmente, isso acontece pelo que chamamos de “menstruação retrógrada”, que é quando o fluxo menstrual acaba saindo pelas trompas uterinas em direção ao abdômen, mais frequentemente, na pelve, onde essas células acabam se implantando.
Quando isso acontece, durante o ciclo menstrual essas células sofrem alterações hormonais (como as células uterinas sofrem) e causam inflamação por estarem em outros tecidos do corpo.
Frequentemente, essas células podem acometer o intestino, sendo o reto o local mais comum, mas também podem atingir outras partes do intestino.
Essa inflamação pode causar vários sintomas, como:
- Dificuldade de evacuação ou diarreia;
- Sensação de preenchimento retal constante, mesmo após ter evacuado (tenesmo);
- Dores e inchaço no abdômen;
- Sangramento nas evacuações em casos mais graves.

Qual o tratamento para endometriose intestinal?
Infelizmente, o tratamento clínico com anticoncepcional, ou até mesmo hormonal, não costuma ser muito eficaz para esse tipo de endometriose. Além disso, o tratamento hormonal pode ter efeitos colaterais, como a perda de massa óssea, quando utilizado por muito tempo.
Por isso, na grande maioria desses casos, quando há sintomas, a cirurgia acaba sendo indicada para retirada de todos os focos de endometriose da paciente.
Qual a preparação para essa cirurgia?
Para a cirurgia de endometriose com acometimento do intestino, em geral, a paciente precisará fazer um preparo intestinal completo, como o preparo de colonoscopia.
São utilizados laxantes potentes e a dieta é bem restrita, para eliminar todas as fezes de dentro do intestino. Esse preparo permite a realização da cirurgia com mínima contaminação quando é aberto o intestino, ou quando ele é grampeado.
Como o preparo causa uma diarreia intensa, é muito importante tomar bastante líquido para evitar a desidratação.
Quais são as técnicas cirúrgicas?
Cirurgia Minimamente Invasiva
As cirurgias para endometriose atualmente são quase 100% feitas de forma minimamente invasiva, seja por videolaparoscopia ou, mais recentemente, com cirurgias robóticas.
O princípio da cirurgia é sempre tentar retirar toda a doença da paciente, mantendo os tecidos saudáveis para preservar a função dos órgãos normais. Por isso, cada paciente vai ter uma proposta individualizada para o caso dela.
Por exemplo, mulheres que já têm o número de filhos que desejam podem autorizar a histerectomia (retirada do útero), enquanto nas que ainda desejam ter filhos esse órgão é preservado.
Para o intestino, vai depender basicamente de como é o acometimento do pela doença. O local mais comum de ser acometido é o reto e o final do intestino grosso (cólon sigmóide).
Shaving
Em casos onde os focos de endometriose são muito pequenos, pode ser feita a retirada deles do intestino, sem nem mesmo precisar abrir todas as camadas deste órgão.
Essa técnica é chamada de “shaving” (do inglês, “barbear”), onde se retira somente o foco de endometriose e mais nada de tecido saudável. Podem ser dados pontos para reforçar o local de onde saiu esse tecido doente.
Ressecção Discóide
Para lesões um pouco maiores, mas ainda menores de 3 cm, pode ser utilizada uma técnica com um grampeador cirúrgico. Essa é chamada de ressecção discóide, na qual o grampeador, que é circular, retira um “disco” contendo o foco de endometriose, e já grampeia os tecidos saudáveis uns nos outros para reconstruir a parte que foi retirada.
Ressecção Segmentar
Lesões maiores de 3 cm, normalmente, causam uma deformidade grande do órgão, não permitindo assim técnicas menores. Nesses casos, é necessária a ressecção segmentar, onde se retira uma parte do intestino com todas as suas camadas, necessitando assim, de uma reconstrução dos dois segmentos (de onde vêm as fezes e para onde vão) para voltar o trânsito intestinal.
Ainda dentro dessa técnica, é retirado apenas o segmento de intestino necessário para remover toda a doença, não sendo indicadas grandes ressecções, ou mesmo a retirada de todo o vaso que leva sangue para aquela região intestinal, minimizando, assim, os danos.

Como é a recuperação pós-operatória?
Como atualmente são feitas técnicas minimamente invasivas, as cirurgias costumam ter uma recuperação rápida, muitas vezes permitindo alta logo nos primeiros dias após o procedimento.
Cada caso é analisado de forma individualizada, pois existem cirurgias menores e maiores, e a recuperação vai depender de quão grande foi o procedimento. Via de regra, a paciente já deve levantar e caminhar no mesmo dia da cirurgia, a fim de evitar trombose nas veias das pernas e para estimular o intestino a voltar a funcionar.
Sempre que é feita uma cirurgia intestinal, pode acontecer uma resposta do organismo com uma demora do intestino a voltar a funcionar. Isso pode causar sintomas, como:
- Náuseas;
- Falta de apetite;
- Inchaço no abdômen;
- Vômitos.
As técnicas minimamente invasivas diminuem essa chance, mas não eliminam. Além de se movimentar, podem ser necessárias medicações para evitar as náuseas e estimular o funcionamento intestinal, mas na maioria dos casos as pacientes não chegam a ter esses sintomas e aceitam bem a alimentação.
A alta hospitalar costuma ser em torno de 1 a 2 dias após o procedimento, mas deve ser respeitada a recuperação da paciente. Caso ainda não esteja se sentindo bem, pode demorar mais tempo para ir para casa.
Nas primeiras 2 semanas, é necessário evitar esforços, mas é estimulado que se caminhe em ritmo de “passeio no shopping”, várias vezes ao dia.
Após 2 semanas, são liberados passeios um pouco maiores e pode dirigir curtas distâncias, mas ainda sem atividades físicas.
Depois de 30 dias, são liberadas as atividades físicas na grande maioria dos casos, retornando à vida normal.
É necessário o uso de bolsa de colostomia após a cirurgia?
Em 99% dos casos, não. Geralmente, as pacientes que fazem cirurgia de endometriose são mulheres em idade fértil, sem comorbidades, com bom estado nutricional.
Isso tudo ajuda a ter uma boa recuperação da cirurgia, evitando problemas de cicatrização e eliminando a necessidade da colostomia nesses procedimentos.
Porém, em alguns casos isso pode ser necessário. Cirurgias de endometriose com acometimento do reto muito baixo, próximo do ânus, são cirurgias em que o grampeamento tem uma taxa maior de falha, podendo levar à abertura dos grampos em uma quantidade considerável dos casos.
Nesse cenário, pode ser feita uma ostomia que desvia o intestino para a parede abdominal e evita que passem fezes por esse grampeamento, evitando maiores complicações. Assim, fica mais fácil da cicatrização ocorrer de forma completa.
Em casos onde a cirurgia foi feita sem ostomia e houve uma complicação da costura ou grampeamento, a fístula (vazamento) pode indicar uma colostomia para tratamento. Felizmente, essa situação não é comum, ocorrendo em menos de 3% dos casos.
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