Preparação para Cirurgia de Hemorroida

O que saber antes, durante e depois para ter sucesso no tratamento?

Os principais cuidados no pós-operatório envolvem dieta rica em fibras, tomar bastante líquidos e uso de  medicações. A higiene também tem um papel importante, além de alinhar as expectativas com o período de recuperação variável, mas que dura em cerca de 2 semanas.

A cirurgia para hemorroidas é um momento que pode causar muita apreensão por ser algo completamente novo e, querendo ou não, tratar-se de um procedimento invasivo.

Porém, essa situação pode ficar muito mais tranquila se você souber algumas informações já antes do procedimento, antecipando assim, várias das situações pela qual irá passar.

Temos sempre que levar em conta que cada paciente tem uma sensibilidade diferente e a doença pode ser maior ou menor, levando a mais ou menos inflamação no pós-operatório. Mas mesmo sendo tão variável, há alguns pontos em comum que podem ser comentados.

O que saber antes da cirurgia de hemorroidas?

Primeiro, “cirurgia de hemorroidas” é um termo amplo, que pode abarcar desde um procedimento muito pequeno até algo de porte consideravelmente maior. 

Pode ser uma retirada de uma pequena hemorroida externa com anestesia local em consultório, ou mesmo uma cirurgia de ressecção de 3 grandes hemorroidas, com sedação e raquianestesia em internação hospitalar. 

Portanto, já dá para ter uma ideia de que o resultado dificilmente será comparável entre 2 pessoas diferentes. 

Um dos fatores mais importantes para prever o quão difícil será a recuperação diz respeito a entender como é a hemorroida. Isso porque, hemorroidas internas não têm a mesma sensibilidade de hemorroidas externas. Enquanto as externas recebem bastante nervos e, consequentemente, são muito sensíveis à dor, as internas podem ser manipuladas sem causar a mesma intensidade de dor.

Grau 3: prolapsam e necessitam de redução manual

 

Por isso, surgiram várias técnicas de cirurgia que focam em hemorroidas internas e podem ter uma recuperação mais rápida e com menos dor. Alguns exemplos incluem:

  • Hemorroidopexia grampeada (PPH);
  • Desarterialização (THD);
  • Hemorroidoplastia a laser,;
  • Escleroterapia. 

 

Esses procedimentos têm características em comum, que é a menor dor, mas uma maior chance de recidiva da doença, justamente por não retirarem as hemorroidas inteiras.

Vale citar que pacientes que têm apenas hemorroidas internas são uma minoria, com a maior parte dos casos tendo algum componente externo junto (hemorroidas mistas). No caso de ser necessário operar as hemorroidas externas ou plicomas, infelizmente, a chance de ter dor no pós-operatório é muito mais alta.

Mas e como é essa dor?

Todas as técnicas que removem as hemorroidas (excisionais) costumam evoluir com dor para evacuar. Normalmente, duram um período médio de 2 semanas, mas isso pode variar bastante conforme a sensibilidade de cada paciente. 

Por exemplo, quando acontece muita inflamação, a dor pode ocorrer por até 30 dias. Já algumas pessoas (raras) relatam melhora da dor após 2-3 dias da cirurgia. 

Não é necessário ficar de cama, de repouso absoluto, nem nada do tipo. O paciente tem uma vida normal em casa: levanta, vai almoçar, tomar banho, inclusive, sentar não é uma questão. O problema está na evacuação e um tempo depois. É parecido com a crise que algumas pessoas têm da hemorroida.

Para isso o paciente toma remédios para dor, anti-inflamatório (quando indicado), laxantes nos primeiros dias para as fezes ficarem macias, faz banho de assento com água morna, usa geléia anestésica, e ainda pode tomar remédios para dor mais fortes quando necessário. Em média, com 2 semanas, a pessoa comparece no retorno pós-operatório já se sentindo melhor.

É bem comum também, devido à inflamação, uma sensação de vontade de evacuar mesmo sem ter nada, já tendo evacuado. Isso pode ser desconfortável nos primeiros dias, mas tende a melhorar dia após dia.

Na cirurgia convencional ficam algumas feridas no ânus, que levam algumas semanas para cicatrizar. Então é comum ficar saindo um pouco de sangue ou secreção amarelada do ânus, especialmente na hora da evacuação, e isso é normal. 

Sendo assim, é preciso lavar a região com ducha, com água e sabonete, várias vezes ao dia nos primeiros dias, e ir diminuindo conforme for cicatrizando e as feridas forem secando. Também é necessário deixar gazes ou absorvente para não sujar a roupa. 

Tirando esses inconvenientes, a cirurgia em si é muito segura. Sangramento em grande quantidade é extremamente raro. A infecção, por incrível que pareça, também é muito rara — normalmente só lavar com ducha resolve o problema —, é mais pelo problema da dor mesmo. Costumo dizer aos pacientes que “sofre uma vez, mas resolve”.

Na cirurgia convencional, a hemorroidectomia, é feito um corte desde a parte externa da hemorroida, até a parte interna, removendo-a inteira. É dado um ponto no seu vaso para evitar o sangramento ponto absorvível, que cai sozinho, a maioria das vezes no meio das fezes de uma maneira que nem dá para perceber.

No dia da cirurgia: o que esperar?

No dia, a pessoa interna normalmente 2 horas antes do horário do procedimento, com acompanhante para ficar com os pertences e é levada para se arrumar e ir ao centro cirúrgico. O anestesista conversa com o paciente antes para confirmar a condição de saúde.

Na sala de cirurgia, o anestesista pega um acesso venoso, faz uma sedação (para o paciente dormir durante o procedimento e logo após já acordar), e faz a raquianestesia, aquela nas costas parecida com a cesárea. Na cirurgia de hemorroidas, essa anestesia normalmente fica “em sela”, ou seja, anestesia apenas o períneo, e nem fica sem mover as pernas.

Após essa parte, o paciente é colocado na posição ideal para a cirurgia, que em si, dura em torno de 30 a 40 minutos, variando conforme o tamanho da doença. O tempo total na sala de cirurgia costuma variar de 1h a 1h15min.

Após a cirurgia, o paciente é levado à sala de recuperação anestésica, onde as equipes de enfermagem e anestesia ficam monitorando-o até acordar bem da sedação, o que pode variar bastante de pessoa para pessoa. Algumas, ficam bem após 2 horas, outras, podem levar 4 horas ou mais para se recuperarem.

No quarto, o paciente recebe uma refeição e assim que conseguir caminhar e urinar normalmente, costuma ser liberado para casa no mesmo dia. 

Pós-operatório: recuperação e cuidados

Logo após a cirurgia, na verdade, costuma ser tranquilo. Ainda está agindo o efeito da raquianestesia e a pessoa não costuma evacuar logo em seguida.

Do dia seguinte em diante é que começa a parte indesejável: as dores na evacuação, como já falamos. Elas tendem a melhorar dia após dia, sendo as primeiras evacuações as mais chatas. 

Logo, é muito importante seguir as recomendações do médico bem certinho, incluindo uma dieta rica em fibras e bastante líquido para evitar ter fezes duras e precisar fazer esforço para evacuar, o que pode machucar ainda mais.

 

Retorno às atividades

A volta às atividades, como trabalho ou exercícios físicos, vai variar conforme a intensidade da tarefa e o desconforto que a pessoa estiver sentindo. Em geral, as primeiras 48 horas devem ser de descanso, para poder fazer os banhos de assento e todos os cuidados com calma. 

Pessoas que trabalham home office, por exemplo, caso sintam menos desconforto, podem voltar às atividades nos primeiros dias. Enquanto isso, quem trabalha com serviços pesados deve aguardar mais tempo, pois pode sofrer mais com os sintomas. 

Não existe uma data exata de quando a pessoa pode voltar às atividades físicas, vai depender da melhora. Não acontece de estragar a cirurgia, pois as hemorroidas que saíram não voltam mais. 

Entretanto, o que acontece, sim, é de ter dor e desconforto conforme o esforço, e isso é que vai nos guiar para dizer se já é hora de voltar ou não. Normalmente, vale testar assim que estiver com pouca ou nenhuma dor, com atividades mais leves como caminhada. 

Em seguida, para quem gosta de musculação, exercícios de braço mais leves. Na sequência, exercícios de perna e os demais. Bicicleta é que não deve ser realizada nesse pós-operatório, apenas quando estiver bem cicatrizada e o médico liberar dos retornos pós-cirúrgicos.

A hemorroida pode voltar depois da cirurgia?

Não. A hemorroida que é retirada, como dissemos, não volta mais. Porém, na verdade, o problema é quando há muitas hemorroidas (por exemplo: a circunferência inteira cheia de hemorroidas). 

Neste caso, não pode ser feito um corte circular, retirando tudo de uma vez, pois isso pode levar à cicatrização que acaba fechando o ânus (estenose anal), e não queremos isso. 

Para evitar esse problema, em geral, são retiradas até 3 hemorroidas, que são as que ficam nas posições clássicas, e mantidos espaços de pelo menos 1 cm entre cada uma delas. 

Neste espaço, às vezes pode ter de ficar alguma hemorroida menor, por segurança, a fim de evitar essa complicação. E essas menores podem ou não incomodar após o procedimento, dependendo do caso.

Mesmo se não ficar nada de doença hemorroidária, os próprios vasos da anatomia normal podem vir a se dilatar ao longo do tempo, especialmente com os fatores de risco como evacuar fezes duras com esforço, ganho de peso, fazer esforços físicos muito intensos, gestação e parto normal, ou predisposição. 

Felizmente, na grande maioria dos casos o problema é resolvido com uma única cirurgia e nunca mais acontece nada. Garantir um tratamento adequado é a melhor forma de recuperar qualidade de vida e evitar crises futuras.

Portanto, se você precisa de avaliação para cirurgia de hemorroidas em Florianópolis, agende sua consulta com o Dr. Arthur Garcia e receba um atendimento humanizado e especializado.